Poeminha fúnebre
A vida é uma piada que eu ainda não entendi.
E tenho pra mim que no meu leito de morte,
nos meus últimos suspiros,
há de se esclarecer tudo,
e eu vou morrer é de rir.
poesia obsessiva compulsiva
Tem gente que lava as mãos cinco vezes antes e depois de ir ao banheiro...Tem gente que memoriza todas as placas de carros vermelhos... Tem gente que faz dez anos de análise...Tem gente que tem mais o que fazer...Tem gente que não faz porra nenhuma... tem gente que escreve
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Sem açúcar
Tentem não ficar chateados quando digo que não gosto de vocês.
Prometo que de anteontem em diante tudo isso há de mudar.
Aí então vou pra qualquer lado ser amigo de infância de qualquer um,
espero que isso me leve a algum qualquer lugar.
Coitado do álvaro de campos que tem tanta pena de si,
e eu que nem tenho agora também quero ter.
Sei que Deus ajuda quem tem um pássaro na mão.
Sei que gosto de rir de tudo e um pouco de me perder.
Tentem gostar de mim mesmo quando digo que não gosto de ninguém,
quando digo que de vocês é que não vou sentir falta.
Sou um velho numa cadeira de balanço na porta de casa
fumando um charuto que nunca termina
e tomando chá de camomila.
(sem açúcar)
Tentem não ficar chateados quando digo que não gosto de vocês.
Prometo que de anteontem em diante tudo isso há de mudar.
Aí então vou pra qualquer lado ser amigo de infância de qualquer um,
espero que isso me leve a algum qualquer lugar.
Coitado do álvaro de campos que tem tanta pena de si,
e eu que nem tenho agora também quero ter.
Sei que Deus ajuda quem tem um pássaro na mão.
Sei que gosto de rir de tudo e um pouco de me perder.
Tentem gostar de mim mesmo quando digo que não gosto de ninguém,
quando digo que de vocês é que não vou sentir falta.
Sou um velho numa cadeira de balanço na porta de casa
fumando um charuto que nunca termina
e tomando chá de camomila.
(sem açúcar)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Quão ridículo é o medo de ser ridículo?
quanta solidão pode caber numa pessoa?
quantos pensamentos tristes numa lágrima só?
quantos pedaços tem um coração despedaçado?
quantos dentes tem a vontade de fazer alguém sorrir?
quanta fé tem repetida num terço?
quanto é o terço de uma pessoa partida ao meio?
quanto de vida é preciso até morrer na hora que tem que ser?
quanto desse canto eu preciso pra estancar esse tanto...
esse tanto sentir sem saber?
quanta solidão pode caber numa pessoa?
quantos pensamentos tristes numa lágrima só?
quantos pedaços tem um coração despedaçado?
quantos dentes tem a vontade de fazer alguém sorrir?
quanta fé tem repetida num terço?
quanto é o terço de uma pessoa partida ao meio?
quanto de vida é preciso até morrer na hora que tem que ser?
quanto desse canto eu preciso pra estancar esse tanto...
esse tanto sentir sem saber?
Mirante
Quando essa ilha se acabar
no escorregadio afago da serpente
ou enquanto um engarrafamento qualquer
subitamente nos congestionar a alma,
eu te quero ao meu lado:
eu, tu e uma garrafa,
que essa história de morrer
ainda deve de nos dar alguma sede,
e morrer de sede a essa altura
não passaria de uma piada sem graça.
O que eu não quero é estar longe,
perder a vista do fim no alto de um mirante,
mirar teus olhos e os meus nos teus os meus
nesse réptil, fugaz e sublime instante.
Quando essa ilha se acabar
no escorregadio afago da serpente
ou enquanto um engarrafamento qualquer
subitamente nos congestionar a alma,
eu te quero ao meu lado:
eu, tu e uma garrafa,
que essa história de morrer
ainda deve de nos dar alguma sede,
e morrer de sede a essa altura
não passaria de uma piada sem graça.
O que eu não quero é estar longe,
perder a vista do fim no alto de um mirante,
mirar teus olhos e os meus nos teus os meus
nesse réptil, fugaz e sublime instante.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
XXXXXXXXX
Talvez o maior erro seja
tentar não errar
O dia nasce todo dia sem se importar em saber
o que é melhor ou pior,
custar ou se apressar
O que falta ser feito
e o que não se devia fazer.
Por não saber o nome do que sinto
eu não devia sentir?
O indefinido tem seu próprio tempo
o tempo preciso de que precisar
o teu olhar tem uma cor que me dói
e no teu sorriso eu me sinto emergir
por não conseguir explicar eu não devo
falar?
Eu não sei como dizer,
sequer o que dizer
e o seu porquê
o sentimento do indefinido
é definitivamente vivo e ele há
de me levar
a qualquer lugar que seja
o qualquer lugar em que tu está.
Talvez o maior erro seja
tentar não errar
O dia nasce todo dia sem se importar em saber
o que é melhor ou pior,
custar ou se apressar
O que falta ser feito
e o que não se devia fazer.
Por não saber o nome do que sinto
eu não devia sentir?
O indefinido tem seu próprio tempo
o tempo preciso de que precisar
o teu olhar tem uma cor que me dói
e no teu sorriso eu me sinto emergir
por não conseguir explicar eu não devo
falar?
Eu não sei como dizer,
sequer o que dizer
e o seu porquê
o sentimento do indefinido
é definitivamente vivo e ele há
de me levar
a qualquer lugar que seja
o qualquer lugar em que tu está.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Morrer e depois dormir
a dor é sempre do lado esquerdo
quem não quer saber é que sabe do mal
O dia dura, no mínimo, o dia inteiro
O ponteiro do relógio é um punhal
um minuto, incerto, pode ser eterno
certeiro, um minuto dura um minuto e ponto final
quem não quer lembrar
é por não saber esquecer
não saber deixar morrer,
e depois ir dormir.
a dor é sempre do lado esquerdo
quem não quer saber é que sabe do mal
O dia dura, no mínimo, o dia inteiro
O ponteiro do relógio é um punhal
um minuto, incerto, pode ser eterno
certeiro, um minuto dura um minuto e ponto final
quem não quer lembrar
é por não saber esquecer
não saber deixar morrer,
e depois ir dormir.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Sonho
Era como se o começo fosse o fim
Como se o fim fosse o final
Era como se o "como se"
Fosse o que houvesse de mais real
Era como se hoje fosse ontem
E o amanhã uma espécie de sentir-se mal
Era como se eu mesmo não fosse o mesmo
O sonho fosse sonho para dentro de si
E o "como se fosse" não fosse nada a mais
do que o nada demais
E era como se
Como se fosse o como é
fosse tudo exatamente igual
Era como se o começo fosse o fim
Como se o fim fosse o final
Era como se o "como se"
Fosse o que houvesse de mais real
Era como se hoje fosse ontem
E o amanhã uma espécie de sentir-se mal
Era como se eu mesmo não fosse o mesmo
O sonho fosse sonho para dentro de si
E o "como se fosse" não fosse nada a mais
do que o nada demais
E era como se
Como se fosse o como é
fosse tudo exatamente igual
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